Como é bom voltar a ver a big apple aos olhos de Carrie! Tudo bem, elas envelheceram, têm marcas do tempo no rosto e em suas histórias. Mas aposto meu futuro primeiro par de Manolos que quando você assistir ao novo filme que deu origem a série Sex and City irá sentir que cada um de seus personagens (Stanford se casando, Charlotte surtando com a tão desejada maternidade, Miranda descobrindo que a vida é muito mais que seu emprego, Samantha a mercê de uma crise de hormônios e Carrie vivendo a rotina do casamento) faz parte de um pouquinho da sua vida também. Afinal, quem nunca teve uma melhor amiga que nasceu para ser mãe, mas que um dia surta diante de tantas responsabilidades que a maternidade impõe; ou o amigo gay que sempre te ouve e apóia, mas que um dia precisa da sua força; ou, ainda, quem já não sentiu que o dia a dia poderia arruinar o grande amor da sua vida? Se ainda não assistiu ao filme, corra para o cinema, e só depois volte a ler este texto, no qual episódios da história destas quatro amigas têm um quê do cotidiano de cada mulher.
Quando Sex and the City começou, no final dos anos 90, eu estava no auge dos meus 20 e nenhuma tv à cabo a vista. Então, só fui propriamente apresentada a Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha em 2002, o que não poderia ter sido mais propício. Era um momento em que muitos questionamentos surgiam na minha vida, dúvidas sobre profissão/trabalho, relações a dois, amizades e o que esperar de amigos e das pessoas que me cercavam. Claro que uma série fictícia sobre quatro lindas mulheres nova-iorquinas nunca poderia ser o guia prático de sobrevivência de ninguém, mas é preciso admitir que dividi momentos da minha história com essas mulheres, em várias situações os questionamentos delas se misturavam com os meus, os romances frustrados ou não tinham as mesmas nuances – sem dizer na paixão que sempre compartilhei com Carrie: escrever, muito e sempre sobre as coisas que eu via e sentia.
Sex and the City, a série, representa toda uma geração de mulheres, independente do país (o sucesso da série não me deixa mentir), mulheres que estudam, trabalham, se apaixonam, traem, são traídas, confundem amizade com romance, casam, se separam, e tornam a se apaixonar. E no meio disso tudo, quem sabe, ainda têm de lidar com o próprio crescimento, ou de seus filhos, a inconstância de seus hormônios, a dúvida entre casar ou investir na carreira e, principalmente, o preconceito da sociedade frente a sua postura mais livre.
Muitas vezes em meu velho apartamento, depois de uma separação dolorosa (e qual não é?), me vi em frente ao computador, olhando pela janela, tomando café e tentando inspiração para criar um novo texto ou campanha. Qualquer semelhança com a Carrie não é simples coincidência. Mas era a minha vida, a minha realidade. E ver pessoas “queridas” passando por coisas parecidas, sempre me fez sentir mais normal, meus questionamentos mais plausíveis e minhas dores mais suportáveis.
E mais: assim como Carrie e Charlotte, que mulher nunca teve um melhor amigo gay? E quem nunca pediu colo a ele quando seu coração foi machucado ou um conselho fashion para ficar mais bonita? Não existe opinião “masculina” mais honesta que a de um “amigo Stanford”. Ao contrário do seu namorado ou marido, ele sempre lhe dirá quando uma roupa te deixa linda ou vulgar, sem nenhum viés, pois ele não te deseja e nem estará querendo diminuir o tempo de espera para você ficar pronta.
Igual a Carrie também já fui a “Best man” no casamento de um amigo. Tudo bem que a festa de casamento dele não teve Lisa Minelli como mestre de cerimônia, como a de Anthonyi e Stanford. Mas tanto em um como em outro, a sensação mais o importante foi perceber que mesmo em relacionamentos tão ímpares, o amor sempre consegue absorver um quê de tradição. O tradicional emociona e nos faz crer que tudo será sempre duradouro, mesmo que seja enquanto dure.
Agora, o capítulo com maior índice de audiência é confronto Aidan x Big. A grande maioria das mulheres já teve o rapaz certinho e apaixonado em sua vida, doido para colocar um anel em sua mão esquerda. Com ele já foram (ou não) felizes e também questionaram se o tão aclamado amor era apenas aquilo. E como boa Carrie, muitas já jogaram tudo isso para o alto em busca de um BIG e novo frio na barriga. Sim meninas, o Sr. Big existe e o happy end também – UFA! O nome dele pode não ser John, mas cabe a cada uma encontrar o seu. E o conselho que fica é: não desista de buscá-lo. Mesmo que seja difícil ou demore seis temporadas para vocês se acertarem; cada ida e vinda, cada desencontro, cada briga, cada recomeço valerá a pena quando você encostar em seu ombro e souber que, finalmente, encontrou o seu lugar no mundo.
Até a sensação da Carrie depois de dois anos de casada é válida: “estamos nos tornando um casal chato e fãs de sofá e filmes dublados?”. Afinal, quem não tem medo da rotina que teima se instalar nos casamentos, mesmo nos mais felizes? Em um momento deste o reaparecimento de um Aidan ou de outro fantasma do passado pode colocar tudo a perder. Mas o amor dos dois é muito maior e muito mais complicado do que um simples beijo trocado num momento de fraqueza com um ex-namorado. Eu perdoaria uma traição dessas? Meu Big perdoaria? Acho que não. Mas eu não me chamo Carrie, nem John, e a história dos dois é muito mais complexa do que um simples momento de fraqueza, seja aqui, em Manhattan ou no Oriente Médio.
Assim, 12 anos depois de tantas aventuras e episódios, você também já está mais madura e certa do que quer. E vai se lembrar que aquele GRANDE homem sentado no sofá, doido para ver uma simples comédia romântica com você, é o mesmo que já te fez vagar outrora por muitos lugares apenas procurando encontrá-lo. E, com certeza, vai se lembrar que o vazio que você sentiu nesta busca é infinitamente pior do que envelhecer calmamente ao lado do Big que te escolheu.
ESCREVI ESTE TEXTO HÁ 1 ANO PARA A REVISTA BOEMIA. FOI MUITO COMENTADO E ELOGIADO. RESOLVI POSTAR AQUI PRA VOCÊS TAMBÉM.

2 comentários:
Olha, pode ser que se sinta confortada ao lembrar que o cara do sofá é o mesmo pelo qual vagou procurando, e isso faz tudo aquilo valer a pena. Ou talvez apenas se apegue a isso para não mudar de idéia. Tipo, "deu tanto trabalho, não pode ser o cara errado". Já vi muita gente que cansava de repetir ter encontrado "a pessoa certa", que de tanto repetir você percebia que a pessoa tinha se apegado àquela idéia, que no fundo ela mesma não acreditava mais. Mas não admitia estar errada.
Por outro lado, não vejo nada de errado com sofás e comédias românticas. :P
Há felicidade nas coisas intensas, como também há nas coisas mansas. :)
Bom texto, Dani.
Bjs
Sou a prova viva de que a intensidade tem tudo de bom e tb de ruim... Temos apenas que saber lidar com ela. O que nao suporto é gente mais ou menos...
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