Estreando esta nova seção entrevistei de um cantor de quem sou super fã: André de Souza. E para apresentá-lo, ninguém melhor que minha amiga, Lia Estevão, que também o entrevistou há um tempo, e captou sua alma como ninguém.
“A primeira impressão é de estar diante de uma personalidade incomum. O que se comprova ao longo da conversa. Ele tem um coração de poeta, doce e romântico, que caminha sem medo junto aos pensamentos mais racionais de sua mente, pensamentos estes bem mais coerentes ao perfil de um engenheiro, como ele. Só que esse engenheiro disse não à profissão e ao status conferido por ela. Por amor à música. Entre respostas geralmente bem humoradas, percebe-se que os caminhos anteriormente percorridos tiveram muitos questionamentos. Certezas? Pouquíssimas. O que raramente afeta sua tranquilidade. Percebe-se, enfim, que André é totalmente apaixonado por seus trabalhos, mas sempre mantendo os pés no chão. Forte e frágil. Rude e doce. Músico e cantor. E também o vocalista principal da banda Mandinga, com muito orgulho.” Lia Estevão
COMEÇO:
Canto e toco violão desde criança. Aos poucos percebi que emocionava as pessoas quando cantava na igreja de São Simão com minha mãe, onde nasci. A partir daí, passei a ser convidado para cantar em casamentos e festas diversas. Mas foi aos 15 anos que me descobri cantor, quando passei a participar de festivais de música autorais, conquistando diversos prêmios ao redor do país. Vim para São Carlos em 1985 estudar Engenharia de Materiais.
MANDINGA:
Durante a graduação, conheci Paulo Mascarenhas, que veio a se tornar grande amigo. Ele tinha uma banda que fazia muito sucesso na época, chamada ORTN. Quando me viu tocar em uma das festas do DCE da UFSCar, convidou-me pra formar uma banda de MPB, com pegada POP. Tocávamos então no CAASO e DCE com frequência. Ricardo Finazzi era o baixista do ORTN e seria juntamente comigo, um dos fundadores do Mandinga. Por sua vez, Ricardo era amigo e admirava um baterista muito jovem na época: Emílio Martins. Fui apresentado ao Emílio e assim começamos um trabalho de música autoral. Nascia o Mandinga, uma banda que se propunha a fazer música brasileira, com pegada moderna, além de músicas próprias. Mas pra frente, logo após a gravação do 1° CD do Mandinga, conheci César Bottinha através dos outros dois, um guitarrista de extremo bom gosto e o quarteto é o mesmo até hoje.
ESSÊNCIA:
Meu trabalho é essencialmente voltado à música brasileira: procuro trazer às pessoas músicas extremamente conhecidas com uma roupagem própria, além de introduzir algumas músicas que adoro pra que o repertório seja ora dançante, ora intimista, mas que de alguma forma me faça muito bem e que através de mim, faça bem às pessoas. Não é um trabalho de pesquisa. Trata-se de ouvir uma determinada música e me apaixonar por ela a ponto de querer que outras pessoas a vejam sob a minha ótica.
NOVO TRABALHO:
Meu CD solo, o Bola pra Frente ilustra bem isso: tem músicas próprias, músicas inéditas de compositores que admiro, além de regravações de músicas que fazem parte da minha vida desde a infância (Pavão Misterioso), passando pela adolescência (Certas Canções) e idade adulta (Volte para o Seu Lar). Eu o defino como um reflexo do artista que me tornei. Creio que a pessoa que ouve o Bola Pra Frente está em contato com minha essência.
MELHOR MÚSICA:
No novo CD? Pergunta difícil. Na verdade, espero que ouçam todas as faixas. Mas acho especial uma música dos amigos Eduardo Klebis/ Bruno Mangueira intitulada Porta-Bandeira. Retrata o universo de uma gari, que desfila em uma escola de samba, vivendo o glamour do momento, colhendo os confetes e aplausos. No dia seguinte é ela mesma quem recolhe os confetes da avenida, já que sua profissão verdadeira é gari.
AGENDA:
Acessem www.andredesouza.tnb.art.br para informações sobre mim e sobre como adquirir o CD Bola pra Frente.



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