Nascido na vizinha cidade de Araraquara, Ignácio de Loyola Brandão é jornalista, contista e romancista. Já foi traduzido para várias línguas e teve livros e contos adaptados para o cinema e para o teatro. Conquistou vários prêmios literários com sua obra, entre eles o Prêmio Pedro Nava (da Academia Brasileira de Letras), o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e o Prêmio Jabuti. Membro da Academia Paulista de Letras, Loyola é o autor de clássicos como os romances Zero, Não verás país nenhum e Dentes ao sol e mais uma lista de mais de trinta livros. Loyola foi editor da Revista Claudia, Planeta e das sofisticadas Vogue, Homem Vogue e Lui. Atualmente, é colunista do Caderno 2 do Estadão e, ao meu ver, um dos grandes autores brasileiros. Com a palavra, o nosso querido Ignácio de Loyola Brandão.
Há quanto tempo, o filho mais ilustre da ‘morada do sol’ está em São Paulo? Ou diria, anda por São Paulo, já que adora andar pela ‘terra da garoa’?
Loyola Brandão – Desde 1957, quando terminei o cientifico. Nada mais havia a fazer em Araraquara. Queria me afastar, ir em busca de um lugar onde pudesse fazer cinema, ver cinema, ir ao teatro, andar nas ruas movimentadas, conhecer gente, talvez fazer uma faculdade (não sabia qual. Direito? Nunca. Filosofia? Talvez. Jornalismo? Nem sabia que existia uma). Queria um lugar em que eu pudesse passar o dia inteiro dentro de uma livraria. Meu deslumbramento era a Francesa, na Barão de Itapetininga.
Em 2007, com 71 anos, você retornou a Araraquara para uma palestra e reencontrou sua primeira professora. Como foi este reencontro com sua terra e com sua origem de escritor, simbolizada na pessoa da professora Lourdes?
Loyola Brandão – Não reencontrei Lourdes Prada apenas em 2007. A vida inteira temos nos reencontrado, nunca nos perdemos. Sou amigo de suas filhas Ana e Maria do Carmo. O que você chama de reencontro é o seguinte: eu a convidei para a cerimônia em que recebi um titulo de Cidadão benemérito da Cultura. Aliás, além de Lurdes esteve outra professora, a Ruth Segnini. Foi uma homenagem também a elas, fundamentais à minha vida.
Há quanto tempo, o filho mais ilustre da ‘morada do sol’ está em São Paulo? Ou diria, anda por São Paulo, já que adora andar pela ‘terra da garoa’?
Loyola Brandão – Desde 1957, quando terminei o cientifico. Nada mais havia a fazer em Araraquara. Queria me afastar, ir em busca de um lugar onde pudesse fazer cinema, ver cinema, ir ao teatro, andar nas ruas movimentadas, conhecer gente, talvez fazer uma faculdade (não sabia qual. Direito? Nunca. Filosofia? Talvez. Jornalismo? Nem sabia que existia uma). Queria um lugar em que eu pudesse passar o dia inteiro dentro de uma livraria. Meu deslumbramento era a Francesa, na Barão de Itapetininga.
Em 2007, com 71 anos, você retornou a Araraquara para uma palestra e reencontrou sua primeira professora. Como foi este reencontro com sua terra e com sua origem de escritor, simbolizada na pessoa da professora Lourdes?
Loyola Brandão – Não reencontrei Lourdes Prada apenas em 2007. A vida inteira temos nos reencontrado, nunca nos perdemos. Sou amigo de suas filhas Ana e Maria do Carmo. O que você chama de reencontro é o seguinte: eu a convidei para a cerimônia em que recebi um titulo de Cidadão benemérito da Cultura. Aliás, além de Lurdes esteve outra professora, a Ruth Segnini. Foi uma homenagem também a elas, fundamentais à minha vida.
A maioria dos escritores escreve para extravasar, botar pra fora algo contido. Você já disse uma vez que escreve para se vingar, assim como Cervantes, que escreveu Dom Quixote para se vingar da cavalaria, já que era um soldado raso e manco – escreveu sobre um soldado heróico e, de quebra, fez o primeiro grande romance da história. É isso mesmo, há um sentimento de vingança na essência de cada autor? E ainda há grandes vinganças guardadas para seus leitores?
Loyola Brandão – É preciso entender o termo “vingança” como compensação, como busca do equilíbrio das nossas rejeições, frustrações, medos, inseguranças, desilusões, conflitos interiores, desorganização mental. Dessa maneira, há muita coisa ainda a ser equilibrada, mas sabe que, como a gente não consegue, temos de escrever a vida inteira.
Que você é um apaixonado por cinema não é novidade, inclusive atuando em algumas produções nacionais. Como o cinema influenciou sua literatura?
Loyola Brandão – No sentido de que todos os meus textos partem sempre de uma imagem que se fixa em mim e me persegue. Então, começo a trabalhar em cima dela. Também escrevo meus romances como se estivesse escrevendo roteiro, com indicações para o diretor, o diretor de fotografias e rubricas (indicações) para os atores viverem os personagens. Os filmes seriados de minha infância influencia a conexão entre os capítulos ou segmentos dos livros. Quanto ao atuando, foi uma brincadeira. Entrei em O Santo Milagroso e O Pagador de Promessas, filmes dirigidos por amigos, fazendo uma breve figuração. Para viver uma experiência. Nada mais. Jamais seria ator, tenho uma vergonha enorme e não sei decorar nada.
Há alguma proposta ou vontade de que algum livro seu vire filme?
Loyola Brandão – Gostaria de ver na tela o Não Verás País Nenhum. Já houve várias propostas de compra. Não vendo, é um livro impossível, a não ser com um grande orçamento, mega orçamento, e um diretor experiente e maluco. A propósito, se tem uma coisa que me deixa irritado é quando se referem a esse livro como Não verás país algum como este.
Desde muito cedo, você começou a trabalhar com jornalismo, aos 16 anos, profissão que exerce até hoje. Como está o seu tempo dedicado à literatura? E como o jornalista influencia o escritor e vice-versa?
Loyola Brandão – Um dia, intui que certos assuntos, reportagens entrevistas, eram bons temas para contos. Fui tentando. Aos poucos percebi que a linguagem jornalística, seca, enxuta, sintética, poderia me auxiliar na literatura. Descobri que jornalismo é verdade, exatidão, fatos. E que literatura comporta fatos transfigurados, imaginação, fantasia, sonhos, invenção. Estavam estabelecidos os limites.
Você já ganhou na loteria uma vez, descobriu ser portador de um aneurisma cerebral. Algo que acontece com um em cada trinta milhões de pessoas. E venceu a “veia bailarina”. Este episódio, além de ter resultado em um premiado livro (Veia Bailarina, Global Editora, 2008), mudou o que em sua vida?
Loyola Brandão – De alguma maneira a resposta está no próprio livro. Modifiquei a minha maneira de ser, tentando ser menos ansioso, ganancioso, ambicioso. Tentando penetrar na simplicidade de tudo. A vida é simples, nós é que a complicamos. Hoje tenho certeza da fragilidade de tudo e da vida, vivo cada dia como se fosse o último. Mudou a intensidade de viver, de ver, de saborear. Curto cada momento. Estou feliz por estar vivo, o conceito de vida agora é diferente. Agora, não me pergunte se mudei minha maneira de escrever. Quem vai responder isso serão os ensaístas, mais tarde, quando eu tiver uma obra fechada e vierem me estudar.
Na época, antes de entrar na sala de cirurgia, você escreveu duas crônicas para O Estado de São Paulo: uma para o caso de correr tudo bem e a outra para ser publicada se morresse. Uma atitude, no mínimo, espirituosa para quem estava vivendo uma situação crítica. Como foi isso?
Loyola Brandão – Não tinha medo da morte, mas tinha uma pena imensa de ir embora. É tão bom estar aqui – com todos problemas e preocupações – vivendo com minha família, viajando, vendo futebol, assistindo cinema, ouvindo música, tomando vinho, lendo, conversando com amigos, ou não fazendo nada. Eu ficava pensando: o que será que vou perder morrendo? O que virá depois de interessante? Meu humor (apesar de minha cara fechada) é grande. Deixei planejado meu funeral com as músicas que eu queria ouvir no trajeto até o cemitério, porque pensava em um funeral lá em Araraquara. Grande ou pequeno. Preferia grande, com muita farra, os bares da cidade que eu freqüento fornecendo chope. Na lista, tudo música cafona, boleros, tangos, samba-canções, músicas de filmes, etc. Pensava também em cremação com minhas cinzas jogadas do alto da torre do Lupo, porque aquele relógio da torre marcou minha vida na cidade.
Na atual febre dos chick lit, como foi para o autor de Zero e Dentes ao Sol – livros com realidades tão nuas e cruas – ser editor de importantes revistas femininas, como Vogue e Claudia, que tem um público voraz pela tal literatura Brigdet Jones?
Loyola Brandão – Sou um jornalista profissional e cada cargo tento exercer com dignidade. Fiz Claudia e aprendi muito sobre a condição feminina, em tempos em que a Claudia era revolucionária e avançada, rompia caminhos. Fiz Planeta e aprendi muito sobre o oculto, mundos paralelos, poder da mente. Fiz Vogue e aprendi tanto sobre a vaidade humana, a superficialidade da moda, o culto da beleza, a paranóia da celebridade. Tento extrair de cada momento o máximo que ele pode me dar. Não sou desses que ficar lamentando: ah, tenho tanto talento podia ser melhor aproveitado. Estou neste emprego para sobreviver. Nada disso, cada lugar é um lugar especial. Aproveito. Dedico-me.
Você viveu 2 anos na Alemanha e isso influenciou na sua obra. Viveria fora do país novamente? Por quê?
Loyola Brandão – Viveria fora mais um tempo. Nunca para sempre. Gostaria de uma boa temporada em Paris. Um chavão? Pode ser. Mas Paris foi a Meca, o eldorado de minha geração. Jamais iria para a China, a Índia, a Rússia. O Brasil é meu lugar, minha linguagem, minha gente, meus problemas. Um país que não entendo, mas é por isso que escrevo. Para tentar entender.
E em São Carlos, cidade com forte apelo tecnológico e, ainda assim, com nuances de pacata cidade interiorana. Este araraquarense moraria em São Carlos?
Loyola Brandão – Moraria em São Carlos? Por que não? Inclusive nas várias vezes que passei pela cidade vi uma coisa que adorei. A maneira como certas ruas foram conservadas, certos casarões de época mantidos. Tudo isso me remete a um tempo que vivi e ao qual recorro. Sem nostalgias, apenas como assunto, tema literário. Que pena que São Carlos não tenha mais bondes. E que pena que desapareceu um cabaré sensacional que tinha fora da cidade, mais ou menos ali onde é o Campus da Universidade Federal. A gente vinha de Araraquara para esse cabaré. Nos anos 50, como repórter, fui atrás de uma Companhia de Revistas, a do Colé, um dos cômicos mais famosos da época. Fui atrás por causa das girls, das vedetinhas lindas que se exibiam em biquínis reduzidos. Estava andando com o Colé pela cidade, quando um homem se aproximou. “Os senhores podem servir de testemunhas no registro do meu filho? Sou do sítio, não conheço ninguém, nem sabia disso de testemunha.” Fomos. Colé e eu assinamos o livro. Muitas vezes me perguntei: quem será aquele menino que hoje terá mais de 50 anos? Ele, se vivo, terá idéia de que foi um comediante célebre e um futuro escritor as testemunhas do seu registro? Gosto dessas coisas da vida.
Em que está trabalhando agora? Quais os novos projetos?
Loyola Brandão – Reescrevo um livro infantil, uma a história sobre meu avô paterno que era um marceneiro de gênio. Chama-se Os olhos cegos dos cavalos loucos. Começo a pesquisa para a biografia de Ruth Cardoso. E por esses dias me reunirei com a diretoria da Klabin para ver os ajustes necessários para a história da Klabin Paraná, um livro institucional, uma trajetória muito interessante sobre empresas privadas no Brasil.
Loyola Brandão – É preciso entender o termo “vingança” como compensação, como busca do equilíbrio das nossas rejeições, frustrações, medos, inseguranças, desilusões, conflitos interiores, desorganização mental. Dessa maneira, há muita coisa ainda a ser equilibrada, mas sabe que, como a gente não consegue, temos de escrever a vida inteira.
Que você é um apaixonado por cinema não é novidade, inclusive atuando em algumas produções nacionais. Como o cinema influenciou sua literatura?
Loyola Brandão – No sentido de que todos os meus textos partem sempre de uma imagem que se fixa em mim e me persegue. Então, começo a trabalhar em cima dela. Também escrevo meus romances como se estivesse escrevendo roteiro, com indicações para o diretor, o diretor de fotografias e rubricas (indicações) para os atores viverem os personagens. Os filmes seriados de minha infância influencia a conexão entre os capítulos ou segmentos dos livros. Quanto ao atuando, foi uma brincadeira. Entrei em O Santo Milagroso e O Pagador de Promessas, filmes dirigidos por amigos, fazendo uma breve figuração. Para viver uma experiência. Nada mais. Jamais seria ator, tenho uma vergonha enorme e não sei decorar nada.
Há alguma proposta ou vontade de que algum livro seu vire filme?
Loyola Brandão – Gostaria de ver na tela o Não Verás País Nenhum. Já houve várias propostas de compra. Não vendo, é um livro impossível, a não ser com um grande orçamento, mega orçamento, e um diretor experiente e maluco. A propósito, se tem uma coisa que me deixa irritado é quando se referem a esse livro como Não verás país algum como este.
Desde muito cedo, você começou a trabalhar com jornalismo, aos 16 anos, profissão que exerce até hoje. Como está o seu tempo dedicado à literatura? E como o jornalista influencia o escritor e vice-versa?
Loyola Brandão – Um dia, intui que certos assuntos, reportagens entrevistas, eram bons temas para contos. Fui tentando. Aos poucos percebi que a linguagem jornalística, seca, enxuta, sintética, poderia me auxiliar na literatura. Descobri que jornalismo é verdade, exatidão, fatos. E que literatura comporta fatos transfigurados, imaginação, fantasia, sonhos, invenção. Estavam estabelecidos os limites.
Você já ganhou na loteria uma vez, descobriu ser portador de um aneurisma cerebral. Algo que acontece com um em cada trinta milhões de pessoas. E venceu a “veia bailarina”. Este episódio, além de ter resultado em um premiado livro (Veia Bailarina, Global Editora, 2008), mudou o que em sua vida?
Loyola Brandão – De alguma maneira a resposta está no próprio livro. Modifiquei a minha maneira de ser, tentando ser menos ansioso, ganancioso, ambicioso. Tentando penetrar na simplicidade de tudo. A vida é simples, nós é que a complicamos. Hoje tenho certeza da fragilidade de tudo e da vida, vivo cada dia como se fosse o último. Mudou a intensidade de viver, de ver, de saborear. Curto cada momento. Estou feliz por estar vivo, o conceito de vida agora é diferente. Agora, não me pergunte se mudei minha maneira de escrever. Quem vai responder isso serão os ensaístas, mais tarde, quando eu tiver uma obra fechada e vierem me estudar.
Na época, antes de entrar na sala de cirurgia, você escreveu duas crônicas para O Estado de São Paulo: uma para o caso de correr tudo bem e a outra para ser publicada se morresse. Uma atitude, no mínimo, espirituosa para quem estava vivendo uma situação crítica. Como foi isso?
Loyola Brandão – Não tinha medo da morte, mas tinha uma pena imensa de ir embora. É tão bom estar aqui – com todos problemas e preocupações – vivendo com minha família, viajando, vendo futebol, assistindo cinema, ouvindo música, tomando vinho, lendo, conversando com amigos, ou não fazendo nada. Eu ficava pensando: o que será que vou perder morrendo? O que virá depois de interessante? Meu humor (apesar de minha cara fechada) é grande. Deixei planejado meu funeral com as músicas que eu queria ouvir no trajeto até o cemitério, porque pensava em um funeral lá em Araraquara. Grande ou pequeno. Preferia grande, com muita farra, os bares da cidade que eu freqüento fornecendo chope. Na lista, tudo música cafona, boleros, tangos, samba-canções, músicas de filmes, etc. Pensava também em cremação com minhas cinzas jogadas do alto da torre do Lupo, porque aquele relógio da torre marcou minha vida na cidade.
Na atual febre dos chick lit, como foi para o autor de Zero e Dentes ao Sol – livros com realidades tão nuas e cruas – ser editor de importantes revistas femininas, como Vogue e Claudia, que tem um público voraz pela tal literatura Brigdet Jones?
Loyola Brandão – Sou um jornalista profissional e cada cargo tento exercer com dignidade. Fiz Claudia e aprendi muito sobre a condição feminina, em tempos em que a Claudia era revolucionária e avançada, rompia caminhos. Fiz Planeta e aprendi muito sobre o oculto, mundos paralelos, poder da mente. Fiz Vogue e aprendi tanto sobre a vaidade humana, a superficialidade da moda, o culto da beleza, a paranóia da celebridade. Tento extrair de cada momento o máximo que ele pode me dar. Não sou desses que ficar lamentando: ah, tenho tanto talento podia ser melhor aproveitado. Estou neste emprego para sobreviver. Nada disso, cada lugar é um lugar especial. Aproveito. Dedico-me.
Você viveu 2 anos na Alemanha e isso influenciou na sua obra. Viveria fora do país novamente? Por quê?
Loyola Brandão – Viveria fora mais um tempo. Nunca para sempre. Gostaria de uma boa temporada em Paris. Um chavão? Pode ser. Mas Paris foi a Meca, o eldorado de minha geração. Jamais iria para a China, a Índia, a Rússia. O Brasil é meu lugar, minha linguagem, minha gente, meus problemas. Um país que não entendo, mas é por isso que escrevo. Para tentar entender.
E em São Carlos, cidade com forte apelo tecnológico e, ainda assim, com nuances de pacata cidade interiorana. Este araraquarense moraria em São Carlos?
Loyola Brandão – Moraria em São Carlos? Por que não? Inclusive nas várias vezes que passei pela cidade vi uma coisa que adorei. A maneira como certas ruas foram conservadas, certos casarões de época mantidos. Tudo isso me remete a um tempo que vivi e ao qual recorro. Sem nostalgias, apenas como assunto, tema literário. Que pena que São Carlos não tenha mais bondes. E que pena que desapareceu um cabaré sensacional que tinha fora da cidade, mais ou menos ali onde é o Campus da Universidade Federal. A gente vinha de Araraquara para esse cabaré. Nos anos 50, como repórter, fui atrás de uma Companhia de Revistas, a do Colé, um dos cômicos mais famosos da época. Fui atrás por causa das girls, das vedetinhas lindas que se exibiam em biquínis reduzidos. Estava andando com o Colé pela cidade, quando um homem se aproximou. “Os senhores podem servir de testemunhas no registro do meu filho? Sou do sítio, não conheço ninguém, nem sabia disso de testemunha.” Fomos. Colé e eu assinamos o livro. Muitas vezes me perguntei: quem será aquele menino que hoje terá mais de 50 anos? Ele, se vivo, terá idéia de que foi um comediante célebre e um futuro escritor as testemunhas do seu registro? Gosto dessas coisas da vida.
Em que está trabalhando agora? Quais os novos projetos?
Loyola Brandão – Reescrevo um livro infantil, uma a história sobre meu avô paterno que era um marceneiro de gênio. Chama-se Os olhos cegos dos cavalos loucos. Começo a pesquisa para a biografia de Ruth Cardoso. E por esses dias me reunirei com a diretoria da Klabin para ver os ajustes necessários para a história da Klabin Paraná, um livro institucional, uma trajetória muito interessante sobre empresas privadas no Brasil.
Quer falar algo que não perguntei?
Loyola Brandão – Quer perguntar algo que não respondi?
Loyola Brandão – Quer perguntar algo que não respondi?















