sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Entrevistei Loyola Brandão

Nascido na vizinha cidade de Araraquara, Ignácio de Loyola Brandão é jornalista, contista e romancista. Já foi traduzido para várias línguas e teve livros e contos adaptados para o cinema e para o teatro. Conquistou vários prêmios literários com sua obra, entre eles o Prêmio Pedro Nava (da Academia Brasileira de Letras), o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e o Prêmio Jabuti. Membro da Academia Paulista de Letras, Loyola é o autor de clássicos como os romances Zero, Não verás país nenhum e Dentes ao sol e mais uma lista de mais de trinta livros. Loyola foi editor da Revista Claudia, Planeta e das sofisticadas Vogue, Homem Vogue e Lui. Atualmente, é colunista do Caderno 2 do Estadão e, ao meu ver, um dos grandes autores brasileiros. Com a palavra, o nosso querido Ignácio de Loyola Brandão.


Há quanto tempo, o filho mais ilustre da ‘morada do sol’ está em São Paulo? Ou diria, anda por São Paulo, já que adora andar pela ‘terra da garoa’?
Loyola Brandão –
Desde 1957, quando terminei o cientifico. Nada mais havia a fazer em Araraquara. Queria me afastar, ir em busca de um lugar onde pudesse fazer cinema, ver cinema, ir ao teatro, andar nas ruas movimentadas, conhecer gente, talvez fazer uma faculdade (não sabia qual. Direito? Nunca. Filosofia? Talvez. Jornalismo? Nem sabia que existia uma). Queria um lugar em que eu pudesse passar o dia inteiro dentro de uma livraria. Meu deslumbramento era a Francesa, na Barão de Itapetininga.


Em 2007, com 71 anos, você retornou a Araraquara para uma palestra e reencontrou sua primeira professora. Como foi este reencontro com sua terra e com sua origem de escritor, simbolizada na pessoa da professora Lourdes?
Loyola Brandão –
Não reencontrei Lourdes Prada apenas em 2007. A vida inteira temos nos reencontrado, nunca nos perdemos. Sou amigo de suas filhas Ana e Maria do Carmo. O que você chama de reencontro é o seguinte: eu a convidei para a cerimônia em que recebi um titulo de Cidadão benemérito da Cultura. Aliás, além de Lurdes esteve outra professora, a Ruth Segnini. Foi uma homenagem também a elas, fundamentais à minha vida.

A maioria dos escritores escreve para extravasar, botar pra fora algo contido. Você já disse uma vez que escreve para se vingar, assim como Cervantes, que escreveu Dom Quixote para se vingar da cavalaria, já que era um soldado raso e manco – escreveu sobre um soldado heróico e, de quebra, fez o primeiro grande romance da história. É isso mesmo, há um sentimento de vingança na essência de cada autor? E ainda há grandes vinganças guardadas para seus leitores?
Loyola Brandão –
É preciso entender o termo “vingança” como compensação, como busca do equilíbrio das nossas rejeições, frustrações, medos, inseguranças, desilusões, conflitos interiores, desorganização mental. Dessa maneira, há muita coisa ainda a ser equilibrada, mas sabe que, como a gente não consegue, temos de escrever a vida inteira.

Que você é um apaixonado por cinema não é novidade, inclusive atuando em algumas produções nacionais. Como o cinema influenciou sua literatura?
Loyola Brandão –
No sentido de que todos os meus textos partem sempre de uma imagem que se fixa em mim e me persegue. Então, começo a trabalhar em cima dela. Também escrevo meus romances como se estivesse escrevendo roteiro, com indicações para o diretor, o diretor de fotografias e rubricas (indicações) para os atores viverem os personagens. Os filmes seriados de minha infância influencia a conexão entre os capítulos ou segmentos dos livros. Quanto ao atuando, foi uma brincadeira. Entrei em O Santo Milagroso e O Pagador de Promessas, filmes dirigidos por amigos, fazendo uma breve figuração. Para viver uma experiência. Nada mais. Jamais seria ator, tenho uma vergonha enorme e não sei decorar nada.

Há alguma proposta ou vontade de que algum livro seu vire filme?
Loyola Brandão –
Gostaria de ver na tela o Não Verás País Nenhum. Já houve várias propostas de compra. Não vendo, é um livro impossível, a não ser com um grande orçamento, mega orçamento, e um diretor experiente e maluco. A propósito, se tem uma coisa que me deixa irritado é quando se referem a esse livro como Não verás país algum como este.

Desde muito cedo, você começou a trabalhar com jornalismo, aos 16 anos, profissão que exerce até hoje. Como está o seu tempo dedicado à literatura? E como o jornalista influencia o escritor e vice-versa?
Loyola Brandão –
Um dia, intui que certos assuntos, reportagens entrevistas, eram bons temas para contos. Fui tentando. Aos poucos percebi que a linguagem jornalística, seca, enxuta, sintética, poderia me auxiliar na literatura. Descobri que jornalismo é verdade, exatidão, fatos. E que literatura comporta fatos transfigurados, imaginação, fantasia, sonhos, invenção. Estavam estabelecidos os limites.

Você já ganhou na loteria uma vez, descobriu ser portador de um aneurisma cerebral. Algo que acontece com um em cada trinta milhões de pessoas. E venceu a “veia bailarina”. Este episódio, além de ter resultado em um premiado livro (Veia Bailarina, Global Editora, 2008), mudou o que em sua vida?
Loyola Brandão –
De alguma maneira a resposta está no próprio livro. Modifiquei a minha maneira de ser, tentando ser menos ansioso, ganancioso, ambicioso. Tentando penetrar na simplicidade de tudo. A vida é simples, nós é que a complicamos. Hoje tenho certeza da fragilidade de tudo e da vida, vivo cada dia como se fosse o último. Mudou a intensidade de viver, de ver, de saborear. Curto cada momento. Estou feliz por estar vivo, o conceito de vida agora é diferente. Agora, não me pergunte se mudei minha maneira de escrever. Quem vai responder isso serão os ensaístas, mais tarde, quando eu tiver uma obra fechada e vierem me estudar.

Na época, antes de entrar na sala de cirurgia, você escreveu duas crônicas para O Estado de São Paulo: uma para o caso de correr tudo bem e a outra para ser publicada se morresse. Uma atitude, no mínimo, espirituosa para quem estava vivendo uma situação crítica. Como foi isso?
Loyola Brandão –
Não tinha medo da morte, mas tinha uma pena imensa de ir embora. É tão bom estar aqui – com todos problemas e preocupações – vivendo com minha família, viajando, vendo futebol, assistindo cinema, ouvindo música, tomando vinho, lendo, conversando com amigos, ou não fazendo nada. Eu ficava pensando: o que será que vou perder morrendo? O que virá depois de interessante? Meu humor (apesar de minha cara fechada) é grande. Deixei planejado meu funeral com as músicas que eu queria ouvir no trajeto até o cemitério, porque pensava em um funeral lá em Araraquara. Grande ou pequeno. Preferia grande, com muita farra, os bares da cidade que eu freqüento fornecendo chope. Na lista, tudo música cafona, boleros, tangos, samba-canções, músicas de filmes, etc. Pensava também em cremação com minhas cinzas jogadas do alto da torre do Lupo, porque aquele relógio da torre marcou minha vida na cidade.

Na atual febre dos chick lit, como foi para o autor de Zero e Dentes ao Sol – livros com realidades tão nuas e cruas – ser editor de importantes revistas femininas, como Vogue e Claudia, que tem um público voraz pela tal literatura Brigdet Jones?
Loyola Brandão –
Sou um jornalista profissional e cada cargo tento exercer com dignidade. Fiz Claudia e aprendi muito sobre a condição feminina, em tempos em que a Claudia era revolucionária e avançada, rompia caminhos. Fiz Planeta e aprendi muito sobre o oculto, mundos paralelos, poder da mente. Fiz Vogue e aprendi tanto sobre a vaidade humana, a superficialidade da moda, o culto da beleza, a paranóia da celebridade. Tento extrair de cada momento o máximo que ele pode me dar. Não sou desses que ficar lamentando: ah, tenho tanto talento podia ser melhor aproveitado. Estou neste emprego para sobreviver. Nada disso, cada lugar é um lugar especial. Aproveito. Dedico-me.

Você viveu 2 anos na Alemanha e isso influenciou na sua obra. Viveria fora do país novamente? Por quê?
Loyola Brandão –
Viveria fora mais um tempo. Nunca para sempre. Gostaria de uma boa temporada em Paris. Um chavão? Pode ser. Mas Paris foi a Meca, o eldorado de minha geração. Jamais iria para a China, a Índia, a Rússia. O Brasil é meu lugar, minha linguagem, minha gente, meus problemas. Um país que não entendo, mas é por isso que escrevo. Para tentar entender.

E em São Carlos, cidade com forte apelo tecnológico e, ainda assim, com nuances de pacata cidade interiorana. Este araraquarense moraria em São Carlos?
Loyola Brandão –
Moraria em São Carlos? Por que não? Inclusive nas várias vezes que passei pela cidade vi uma coisa que adorei. A maneira como certas ruas foram conservadas, certos casarões de época mantidos. Tudo isso me remete a um tempo que vivi e ao qual recorro. Sem nostalgias, apenas como assunto, tema literário. Que pena que São Carlos não tenha mais bondes. E que pena que desapareceu um cabaré sensacional que tinha fora da cidade, mais ou menos ali onde é o Campus da Universidade Federal. A gente vinha de Araraquara para esse cabaré. Nos anos 50, como repórter, fui atrás de uma Companhia de Revistas, a do Colé, um dos cômicos mais famosos da época. Fui atrás por causa das girls, das vedetinhas lindas que se exibiam em biquínis reduzidos. Estava andando com o Colé pela cidade, quando um homem se aproximou. “Os senhores podem servir de testemunhas no registro do meu filho? Sou do sítio, não conheço ninguém, nem sabia disso de testemunha.” Fomos. Colé e eu assinamos o livro. Muitas vezes me perguntei: quem será aquele menino que hoje terá mais de 50 anos? Ele, se vivo, terá idéia de que foi um comediante célebre e um futuro escritor as testemunhas do seu registro? Gosto dessas coisas da vida.

Em que está trabalhando agora? Quais os novos projetos?
Loyola Brandão –
Reescrevo um livro infantil, uma a história sobre meu avô paterno que era um marceneiro de gênio. Chama-se Os olhos cegos dos cavalos loucos. Começo a pesquisa para a biografia de Ruth Cardoso. E por esses dias me reunirei com a diretoria da Klabin para ver os ajustes necessários para a história da Klabin Paraná, um livro institucional, uma trajetória muito interessante sobre empresas privadas no Brasil.


Quer falar algo que não perguntei?
Loyola Brandão –
Quer perguntar algo que não respondi?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

UM GRANDE HOTEL NA PEQUENA SÃO PEDRO


Imagine você e sua família fazendo uma viagem no tempo. Tente se ver fazendo o check in em um hall de entrada muito parecido com o do filme “Em algum lugar do passado” – estrelado por Christopher Reeve e Jane Seymour? O destino é a menor cidade do interior de São Paulo, bem pertinho de São Carlos (cerca de 80 km), Águas de São Pedro.













Um breve e agradável percurso entre nossa cidade e esta encantadora estância hidromineral, o levará para muito longe no tempo. Assim que entrar no Grande Hotel Águas de São Pedro você se deparará com todo o luxo e glamour presentes na década de 40 – momento áureo dos grandes hotéis cassinos no Brasil. Ao subir uma ladeira, em meio a um bosque e lindos jardins projetados, você já avistará as linhas imponentes do hotel e a arquitetura art déco. É isso mesmo: luxo bem pertinho da natureza.



No Grande Hotel Águas de São Pedro sua estada não ficará marcada apenas pela sofisticação do ambiente, mas também pelo conforto e inesquecíveis momentos de paz e lazer. A tradição do passado e a tecnologia do presente se unem para propiciar ao hospede uma vivência única. Nos amplos apartamentos a decoração clássica divide espaço com o conforto do mundo moderno.

Sua família terá momentos de prazer com as vários opções existentes no hotel, como playground, conjunto de piscinas, quadras poliesportivas, campo de golfe (9 buracos), trilhas de caminhada em meio ao bosque. Além do espaço voltado para saúde, com academia, banheiras e piscinas com águas medicinais e muita massagem.








Bem, a gastronomia é um capítulo a parte nesta viagem. A experiência de saborear os pratos oferecidos pelo Grande Hotel São Pedro ressoa e percorre os salões onde se dá a degustação de pratos detalhadamente elaborados. Preparados com o que há de melhor em ingredientes e receitas, o cardápio dos restaurantes promove a sintonia entre a simplicidade de boas receitas e a sofisticação da equipe de gastronomia.






São dois os restaurantes do hotel: Engenho das Águas e Grande Hotel São Pedro. Requinte é uma palavra especial, e perfeita para traduzir a atmosfera do restaurante Engenho das Águas, representante da alta gastronomia da cozinha internacional, com um cardápio à la carte fixo, renovado duas vezes por ano. Estrelado pelo Guia 4 Rodas desde 2000, e pelo sexto ano consecutivo, o restaurante prima pelo apuro extremo de suas receitas.

Variedade e versatilidade marcam as receitas do restaurante Grande Hotel São Pedro, com seu serviço de buffet. As receitas, que são desenvolvidas dentro do hotel, trazem uma forte base educacional, pois são usadas também como fonte para as aulas de gastronomia, relacionando aprendizado e execução – afinal estamos em um lugar que é mais que um hotel, é uma Grande Escola.

A CIDADE
A viagem já vale a pena só pela experiência de conhecer e usufruir tudo que o Grande Hotel Escola oferece, mas temos ainda muitas opções de lazer e turismo na pequenina cidade de Águas de São Pedro, que. figura em relatórios das Nações Unidas como uma das estâncias com melhor índice de qualidade de vida do país.
Essa característica de propiciar o bom viver faz com que, durante o ano todo, Águas de São Pedro atraia visitantes em busca de sua atmosfera acolhedora, clima agradável (a temperatura média é de 26º C), área verde abundante e, claro, suas famosas águas medicinais. O turismo é a atividade principal da cidade, que foi planejada e construída para ser uma estância voltada para o lazer e a cura. Para suprir a demanda de visitantes, há uma variedade de restaurantes, bares e opções de passeios para crianças, jovens e adultos. Águas de São Pedro também é procurada por quem deseja praticar algumas atividades que liberam um pouco mais de adrenalina, como rafting, rapel, trekking e arvorismo.
Lojinhas charmosas vendem delícias caseiras e muito artesanato

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PERFIL COM LÉO JAIME

Ele dispensa apresentações, principalmente, para as “meninas” que eram mais meninas ainda na década de 80 – quando seus sucessos como As Sete Vampiras, Sessão da Tarde, Gatinha Manhosa, Conquistador Barato, Sônia e Rock da Cachorra estavam no auge.
Em 2002, Léo Jaime esteve em São Carlos participando de uma peça teatral junto com Taumaturgo Ferreira e Isabela Garcia, foi nesta ocasião que o conheci. Desde então venho acompanhando mais de perto sua carreira e lendo religiosamente seu blog (
http://leojaime.blog.uol.com.br), onde ele reúne clipes atuais e da década de 80, novas fotos e textos com novidades diárias.
Em plena divulgação de seu novo CD Interlúdio, consegui falar com ele e convidá-lo para participar no nosso Perfil – o qual ele aceitou prontamente. Então, mate a saudade você também do mais rockabilly dos nossos cantores.


Nome: Leonardo Jaime

Eu sou... Flamengo.

Não vivo sem: Um computador por perto.

Tenho medo de: Freira e da Ivete Sangalo. Tenho sonhos recorrentes com ela correndo atrás de mim para me pegar, berrando com aquele vozeirão e furiosa. Embora admire ela cantando.

Eu não sou tão gordo quanto pareço. 20% de percentual de gordura e muito músculo em volta.

Você ficaria chocado se soubesse que eu nunca tomei uma dose de uísque na vida. Só de sentir o cheiro fico enjoado. Não bebo destilados.

O melhor conselho que eu já recebi: Bico fechado não entra mosquito.

Meu maior arrependimento é ter perdido tempo.

Meu pecado favorito é: Difícil escolher um só. Luxúria, gula, preguiça... é um time muito forte! (Risos.)

Para manter a forma eu: faço academia e jogo bola. E pego pesado.

Meus amigos me chamam de: Leo.

Atualmente, Twitter é UAU!

Atualmente, Orkut é UÓÓ!

CD que não sai do aparelho: Não gosto de CDs. Gosto muito de ouvir música no carro e ipod. São muitos os favoritos, mas o meu último, Interlúdio, é um dos principais. Estranho eu gostar de ouvir a mim mesmo, não é? Nunca fui disto, mas agora tenho gostado.

Filme que ficou na memória: Forest Gump, ET, Blade Runner, Cantando na Chuva, Janela Indiscreta, são vários.

Livro de cabeceira: O apanhador no campo de centeio.

Não entra de jeito nenhum no guarda-roupa: pochete e calça com pregas.

Uso e não estou nem aí: calção e sandália havaiana para ir a qualquer lugar durante o dia.

O passado me condena: já usei ombreira e cabelo mullet.


Não pode faltar em casa: alegria.

Canto preferido na casa: sou chegado na beira do fogão e no meu escritório.


Não vendo, não troco, não empresto: Minha consciência limpa.

Saudade: do Chacrinha.


Programa legal em casa: reunir os amigos, comer, beber e rir.

Tenho mania de... frases.

Idéia de descanso: dormir, acordar para tomar café e voltar para dormir.

Idéia de diversão? Viajar para conhecer outras culturas e virar um cidadão local por uns dias.

Não senta no meu sofá: quem estiver com a bunda molhada da praia.

A 3 últimas coisas que comprei: não lembro. Ahh... entrada pro cinema, pipoca e guaraná zero.

Esteve em São Carlos, em 2002, se não me engano, em uma peça com Taumaturgo Ferreira e Isabela Garcia (ocasião em que nos conhecemos). Mas o que quero saber é o que achou da cidade? Guarda lembranças?
O chato de passar pelas cidades rapidamente é isso: pouco fica. Algumas pessoas, um hotel, um teatro, o trabalho, a equipe. Falta tempo para perambular, conhecer os lugares, os hábitos locais, sentir a cidade.

O Estado Não É Deus, Mas o Brasileiro Pensa Que É


Penso diferente: o Brasil não é uma nação que preza pela liberdade, seja ela coletiva ou individual. E também tenho bons motivos para acreditar que não estamos lá muito preocupados com a manutenção da democracia. Para dizer a verdade, já nem sei se ela existe de fato por aqui. Sim, porque a cada dia que se passa o brasileiro parece mais disposto a desistir dela. Aliás, essa é uma característica marcante do brasileiro, pois bastam algumas palavras rebuscadas para que ele deixe de acreditar em tudo aquilo que sempre acreditou para se entregar irracionalmente ao “novo”.

Somos assim não é de hoje. Quando os jesuítas chegaram por aqui, há pouco mais de 500 anos, um dia depois do desembarque os nativos já estavam convertidos ao cristianismo, sem nem saber por quê. De lá para cá, quase nada mudou, apenas trocamos a submissão imposta pelos velhos jesuítas pela de personalidades um pouco mais bem vestidas.

Você já parou para pensar como o governo está conduzindo a sua vida, como está vivendo a sua vida em seu lugar? O Estado está sequestrando-a para projetos próprios e pessoais, e nós estamos de pleno acordo, mesmo não recebendo nada em troca!

A cada lei, medida provisória, decreto ou portaria publicada, vamos gradativamente entregando parte de nossa vida e abdicando dos nossos sonhos para uma meia dúzia que viva e sonhe em nosso lugar. Esta sensação de liberdade ainda remanescente em nosso País está com os dias contados, pois falta pouca coisa em que o estado possa pensar em intervir, e fazendo assim, trocar o que você pensava em fazer pelo que ELE pensa em fazer.

Que crime cometeu, por exemplo, alguém que decidiu não escolher quem irá lhe roubar? Estou falando, claro, das eleições. Quem decide agir assim fica proibido de tirar passaporte, prestar concurso público e até mesmo de obter um empréstimo. E o que dizer dos programas televisivos que lhe doutrinam a economizar água e eletricidade e a selecionar o lixo? Estes programas tratam a água como se ela fosse petróleo, um recurso não renovável, o que é falso, já que depois de usada ela obrigatoriamente retorna à natureza, como qualquer criança da quinta série bem sabe. Quanto à coleta de lixo, já pagamos altos impostos para que empresas contratadas pelos municípios façam o serviço (geralmente de péssima qualidade). Mas o governo está mais preocupado em nos fazer trabalhar de graça para ele.

É preciso, primeiro, saber tratar a água, a energia elétrica e a produção de lixo como bens de consumo e que, portanto, têm um preço e obedecem às leis da oferta e da procura. Desta forma, a escassez de água, energia elétrica, etc., implica elevação de seu preço. Em decorrência disso, a economia destes bens se torna algo mais racional, não antiquado e duvidoso como quer o governo, que, inclusive, já lançou campanha incentivando a população a fazer xixi enquanto toma banho, a fim de economizar a água da descarga!

Cuidado! Esta doutrinação de hoje será leis e decretos amanhã. E o pior é que nunca vi ninguém questionar a veracidade dessas informações. O brasileiro teme, ao mesmo tempo, morrer de sede e ver todas as suas cidades litorâneas serem submergidas pelas águas dos oceanos, devido ao efeito estufa. Afinal, estamos condenados à falta de água ou ao excesso dela? E, falando em efeito estufa, como pode o governo estar tão entusiasmado com a descoberta do pré-sal? Ele está dando pulos de alegria por encontrar uma quantidade infinita de matéria-prima do combustível mais poluidor do planeta. Que eu saiba, o petróleo é o “inventor” do efeito estufa. O governo é perspicaz e contraditório: ele comemora o pré-sal, reduz o IPI para veículos automotores e diz que devemos deixar o carro na garagem e ir trabalhar de bicicleta!

Será que ninguém se incomoda com esse excesso de contradição, aliado à disseminação constante de novas e severas leis de âmbito nacional, que só tem aumentado o controle do Estado sobre a população, sem lhe trazer benefícios reais? Não sou contra leis, tampouco um defensor do surreal e incoerente anarquismo. O que me incomoda é o modo como o brasileiro tem acatado conselhos sem lógica e as mais diversas decisões legislativas sem o mínimo de senso crítico. Leis são feitas por homens e, portanto, são passíveis de erros. Mas querem enfiar em nossa cabeça que são todas criações divinas.

A lei antifumo, idealizada pelo governador de São Paulo, José Serra, e que proíbe o consumo de tabaco e seus derivados em todos os locais fechados do Estado, públicos ou privados, é um bom exemplo disso. Apesar da rigidez imposta, mais de 80% dos fumantes se mostraram favoráveis à restrição, sem ponderação prévia. Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Piauí gostaram tanto da medida que a adotarão em breve. Há indícios de que a lei alcançará âmbito nacional, mesmo atropelando a Constituição, que determina a criação de fumódromos em repartições públicas.

Enfim, leis como a antifumo, a lei seca, os toques de recolher e outras mais ousadas e menos necessárias (a exemplo da regulamentação do tamanho do colarinho do chope paulista e tantas outras) são uma maneira eficaz, rápida e barata de o Estado “encurtar as rédias do povo”, pois suprir o déficite intelectual e de conscientização e responsabilidade do brasileiro são tarefas que despendem muito mais dedicação, boa vontade e, logicamente, investimentos. Mas o Estado sabe: contar historinhas e parábolas é muito mais fácil e sai bem mais barato.

Fábio Rabello para a Revista Alto Estilo
Professor e redator
fabiorabello76@hotmail.com

terça-feira, 20 de outubro de 2009

FICA A DICA...

"Marido é aquela pessoa amiga e companheira, que está sempre ali, ao seu lado, para ajudá-la a resolver os grandes problemas que você não teria se fosse solteira."
Frase que ganhou concurso de uma revista inglesa sobre a melhor definição de marido.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Novo projeto do CCAA


Amei. Afinal como dizia o sábio Gentileza: gentileza gera gentileza.

sábado, 17 de outubro de 2009

Um novo olhar sobre Brotas


Que Brotas é uma cidade de turismo de aventura, esportes radicais e muito contato com a natureza todo mundo já sabe – o que é comprovado pela grande número de turistas que esta cidade charmosa recebe durante o ano todo. Mas sair de São Carlos numa sexta-feira de inverno chuvosa e fria tendo Brotas como destino parecia, no mínimo, estranho. Grande engano, Brotas é surpreendente com qualquer tempo e para qualquer pessoa, seja ela doida por adrenalina ou maluca por um bom descanso. Uma ótima opção de viagem, bem pertinho de São Carlos.
Como este foi meu segundo passeio em Brotas decidi ser uma turista diferente, pois na primeira
vez que lá estive fui a doida por adrenalina. Fiz rafting, bóia cross, longas caminhadas para conhecer cachoeiras de tirar o fôlego, arborismo, tirolesa e até rapel (para iniciantes, é claro) – amei e recomendo. Mas desta vez, decidi ser a maluca por um bom descanso. E neste quesito Brotas também se mostrou ter veia turística para recarregar qualquer bateria anti-stress.
Assim, que cheguei à cidade fui para a Pousada Frangipani – escolhida, entre as muitas opções que a cidade oferece, pelo charme de suas instalações, bom gosto na decoração e muito conforto. Esta pousada é, sem dúvida, para quem gosta de natureza, mas não abre mão de ser bem servido, ter conforto e estar em um ambiente aconchegante.






Posso afirmar que, assim como a flor da árvore que dá nome a esta pousada é especial, o lugar também tem um clima mágico. Tanto que na primeira noite não quis sair, fiquei na Pousada curtindo minha deliciosa suíte com hidromassagem, instalada em um deck com vista para um charmoso jardim de inverno privativo, com ambiente para refeições e descanso.

No sábado de manhã fui conhecer algumas cachoeiras que classifico como “leve”, pois não exigem muito condicionamento físico, nem longas caminhadas para se contemplar belos lugares. A primeira foi na Fazenda Cassorova. Para começar, uma bela trilha que corta o Vale do Cassorova até a Cachoeira dos Quatis de 42 metros. Uma pausa para descanso na piscina natural da fazenda e depois uma pequena caminhada até a Cachoeira Cassorova de 45 metros. Mas eu ainda queria contemplar mais lugares bonitos e por isso fui até o Recanto das Cachoeiras, bem próximo a Cassorova.
No Recanto há duas cachoeiras, fui apenas à Cachoeira do Santo Antonio (15 metros), que é bem pertinho e de fácil acesso. Mas o lugar é lindo e tem muitas opções de passeios, mesmo com frio, como a cavalgada que percorre serras, matas fechadas, cerrados e cruza o Rio Jacaré Pepira, chegando à Cachoeira de Roseira, de 55 metros de altura.


O almoço foi na Pousada Frangipani, um prato que vale como dica: Ossobuco com risoto de funghi. Vale a pena provar. O período da tarde, depois de um bom descanso, fui a Areia que Canta – um lugar que precisa ser visitado – uma fazenda com nascente de águas no meio da mata nativa, que forma uma piscina natural de 10 metros de diâmetro. A água brota da terra, em meio a uma areia muito branca 100% quartz, que devido a forma arredondada das partículas de quartzo, quando estas entram em atrito produzem um som característico, por isso o nome Areia que Canta.


Para terminar este dia perfeito, um jantar japonês em deliciosas companhias (né Yeda, Fernando, Alexandre, Tia Leila e Sandra!?). A dica foi da minha tia que está morando na cidade e como a mais nova “cidadã” de Brotas conhece alguns lugares ótimos, que dificilmente figura na lista de dicas das empresas de turismo. O restaurante fica na Pousada Kampai e tem o sashimi de salmão mais fresco que eu já comi.

O domingo amanheceu preguiçoso e fiquei na cama até tarde, curtindo as mordomias da pousada. Escolhi almoçar em um lugar que vale como passeio também: Vila Del Capo. Inspirado na Chicago dos velhos tempos, o Vila Del Capo contempla um orquidário, um bom restaurante e também um antiquário.

Claro que final de semana turístico que se preze termina com compras de produtos típicos, lembrancinhas para os amigos e uma caneca para minha coleção de lugares visitados. Minha dica? A Casa da Cachaça. Uma loja de cachaças artesanais, cachaças temperadas, licores, doces e condimentos de fabricação própria, que fica em um casarão histórico e repleto de móveis antigos.


Brotas é sempre uma boa pedida, faça chuva ou faça sol!

Onde ficar?
Pousada Frangipani
Estrada Vicinal BRO 040 (Brotas - Patrimôno), Km 8
(14) 3653.4851 / 3654.3529 / 3654.3569
www.frangipani.com.br

Passeios:
Areia que Canta: (14) 3653-1382 (www.areiaquecanta.com.br).
Recanto das Cachoeiras: (14) 3653-4227 (www.recantodascachoeirasbrotas.com.br).
Fazenda Cassorova: (14) 3653-5638 (www.cachoeiracassorova.com.br).
Restaurante e Pousada Kampai: (14) 3653-2832 (http://www.pousadakampai.com.br/).
Vila Del Capo: (14) 3653-6160 (http://www.viladelcapo.com.br/).
Casa da Cachaça: (14) 3653 1128 (Av. Ângelo Piva, 590).
O preço para visitar as cachoeiras varia de R$ 10,00 a R$ 20,00 por pessoa. O preço da Areia que Canta é de R$ 30,00 por pessoa.